Serta é destino do documentário que discute a masculinidade

Publicado por Henrique Lee em 9 de Maio de 2019

Foto: Henrique Lee/SERTA

Já parou para pensar sobre o que é ser masculino? Ou sobre como os meninos estão sendo criados? Quais os principais desafios, anseios e sofrimentos dos homens brasileiros atualmente? Estes e outros questionamentos fazem parte de uma pesquisa sobre os homens – suas dores, seus desafios, realizada pelo PdH, e que também se tornará documentário. Esta semana, nos dias 7 e 8, a equipe realizadora esteve no Serta Glória do Goitá para saber dos homens, estudantes de agroecologia,  questões da masculinidade.

Idealizador do documentário, Guilherme Valadares, Fundador do PapodeHomem – uma plataforma focada na transformação da masculinidade, explica que “está fazendo uma pesquisa nacional para entender como os homens são criados, a influência da rua, da escola, da igreja, da família e identificar sobre as dores e os sofrimentos que eles não estão falando”.

Durante os dias, a equipe realizou dinâmica de entrevistas onde estudantes do Serta puderam expressar situações pessoais nunca reveladas. “Uma experiência que desafia o universo masculino a pensar sobre si e sobre questões impostas pela sociedade a um padrão de masculinidade, das formas de comportamento, posicionamento, dureza. Uma oportunidade que tive de expor coisas que me afetaram e que nunca pude dizer”, considerou o entrevistado Paulo Henrique.

“Vir até o homem do campo, escutar o que elas pensam a respeito disso, é parte chave do projeto.  E o Serta traz essa visão de tratar os direitos humanos na base, perpassando a formação. A gente acredita que muito dos problemas que enfrentamos tem origem no fato de ter homens desconectados com a natureza, e o Serta ensina a ter homens formados para uma visão sustentável de mundo”, avalia o pesquisador.

Para o educador de Direitos Humanos do Serta Sandro Cipriano, um dos entrevistados do documentário, o assunto faz parte do currículo da organização. “O Serta educa para o desenvolvimento das pessoas, e falar sobre masculinidade é contribuir com esse desenvolvimento, para que eles se conheçam e reconheçam dentro de um processo coletivo-reflexivo, para o respeito múltiplo, o respeito a si, a mulher, as diferenças”, disse o professor, que já comemora os resultados: “depois da provocação do documentário já formamos um grupo com 38 homens que estão discutindo essas questões”.

Por que discutir sobre masculinidade?

De acordo com Valadares, “os homens se suicidam quase quatro vezes mais que as mulheres, e representam 96% da população prisional”. Uma pesquisa realizada pela ONU Mulheres e pelo portal Papo de Homem (2016) apontou que sete a cada dez homens não falam dos medos nem com seus melhores amigos. “É o retrato de homens fechados, vivendo de uma maneira autodestrutiva, cuidando pouco da saúde, sendo agressivo entre si e consigo, com as mulheres, e este trabalho é para que essa realidade possa mudar”, completa.

Além de Pernambuco, a equipe ouviu dezenas de homens, e também mulheres, da periferia de Belo Horizonte e de diversas regiões de São Paulo. O documentário, que também tem auxílio do resultado da pesquisa (CLIQUE AQUI PARA PARTICIPAR), está previsto para ser lançado em julho deste ano e será exibido em diversos lugares do Brasil de forma gratuita. É viabilizado pela Natura Homem e Reserva, com produção executiva do PapodeHomem, direção de Ian Leite e Luiza de Castro, documentado pela produtora Monstro Filmes.



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