Semana do Meio Ambiente: O futuro (agroecológico) chegou

Publicado por Eduardo Amorim em 2 de junho de 2021

Serta reflorestou área antes ocupada por cana para marcar Semana do Meio Ambiente (Foto: Thairony Alexandre)

Com a pandemia e as mudanças climáticas, cresce o número de pessoas no mundo todo insatisfeitas com o modelo de consumo e com a vida nas cidades, cada vez mais prejudicada pelo trânsito e pelos problemas ambientais. Mas nem sempre é fácil a transição para uma vida no campo, sinal de que as pessoas estão tentando se organizar para fazer realmente a transição para o novo normal agroecológico é que aumentou o número de pessoas do Recife e de grandes cidades no curso Técnico de Agroecologia do Serta.

Nesta Semana do Meio Ambiente, vamos investigar as dificuldades que alguns desses estudantes têm encontrado para se adaptarem a um estilo de vida mais saudável, em que elas escolheram ter uma vida mais ligada ao campo. Mas também mostrar como as ecotecnologias desenvolvidas no Serta podem ajudar neste processo de transição, utilizando a agroecologia inclusive como forma de geração de renda.

Area de SAF recebeu mudas de Sucupira, Ingá, Mogno, Abricó de Macaco, Jenipapo, Jatobá, entre outras mudas nativas doadas pelo Cetene.

No campus Glória do Goitá, do SERTA – Serviço de Tecnologia Alternativa, metade dos alunos vêm de grandes cidades. Quase 50% dos 321 alunos são da Região Metropolitana do Recife, são 150 no total, sendo 86 recifenses e 19 de Olinda (as cidades com maior número de inscritos). O tradicional curto técnico da instituição ainda recebe pessoas interessadas de capitais nordestinas e de metrópoles como São Paulo e Belo Horizonte, além de pessoas que fizeram transição para municípios como São Miguel do Gostoso (RN).

Veralucia Maria Silva Barros já foi proprietária de restaurantes e bares em Olinda, mas recentemente resolveu se mudar para um sítio na Vila de Nazaré (no Cabo de Santo Agostinho). Aos 60 anos, ela foi aprovada, se matriculou e faz parte da turma que recentemente entrou no campus Glória de Goitá do SERTA. Está tendo aulas online e teve oportunidade junto de um grupo de seis outros estudantes, de ter sua primeira experiência de estágio presencial (respeitando as medidas sanitárias necessárias para conter o coronavírus).

Veralucia e Denize são estudantes que ingressarem recentemente no curso ténico em agroecologia do Serta

“Meu objetivo mesmo é me especializar na área de plantas medicinais, pois com a pandemia muita gente resolveu voltar para a ancestralidade”, diz a pedagoga e agora também estudante do Curso Técnico em Agroecologia. Ela tem gostado das aulas online, mas confessa sem as aulas presenciais “você não tem noção do que é lidar com a terra, agora eu sou praticante”, diz, deixando o status de iniciante na agroecologia para o passado.

Diretor do Curto Técnico em Agroecologia do SERTA, Germano Barros, lembra que inicialmente, quando o SERTA começou a desenvolver formação de jovens, foi muito pensado para adolescentes e jovens do campo, já muito familiarizados com a agricultura familiar. “Com a evolução da formação e se tornando um curso técnico profissional, o curso foi evoluindo e aumentou a  procura por outros perfis urbanos, não só jovens, também profissionais e adultos, mas também militantes dos movimentos sociais, ambientalista, indígena, sem-terra, de mulheres e também com a faixa etária e níveis de formações muito diversificadas. Além disso, também se ampliou para diversos territórios e hoje podemos dizer que temos uma escola reconhecida nacionalmente com alunos de 12 estados do Brasil”.

Diretor do Serta, Leandro Pacheco participa de aula de compostagem para alunos em estágio no Campo da Sementeira

Professor de Agroecologia e diretor do SERTA, Leandro Pacheco, conta que a instituição tem tomado uma série de medidas para evitar a propagação do corona vírus. Desde o ano passado, “adotamos as aulas online e aqui no campus os quartos agora só recebem até duas pessoas, no refeitório as mesas são individuais e higienizadas, além de todos utilizarem máscara inclusive durante as aulas no campo”. Ele afirma que a ONG está atenta às determinações do Governo do Estado e analisa a necessidade de fechar novamente as duas unidades de Glória do Goitá e Ibimirim, mas que por enquanto existe muita demanda dos alunos para o estágio em pequenos grupos.

A organização tem mantido suas ações através dos seus projetos nos territórios presencialmente, considerando o protocolo de prevenção a COVID-19 institucional, como também das orientações disponibilizadas pelos municípios que atuamos e do Governo estadual, e ainda de forma remota, para aumentar o leque de ações agroecológicas e fortalecer os territórios, neste mês maio, iniciamos com mais uma turma do curso Técnico em Agroecologia para cinco municípios da zona da Mata Norte de Pernambuco, onde estes estudantes terão fomento para inclusão sócio-produtiva dos projetos de vida de base agroecológica através do Projeto Semear, financiado via incentivos fiscais, através do COMDCA de Glória do Goitá. A presidenta do Serta, Alexsandra Silva, participou do lançamento deste projeto, realizado na última quinta-feira, através do Youtube.

“A aula inaugural contou com muita participação, parceria,  sinergia e animação, envolvendo 112 pessoas entre estudantes, gestores públicos, diretoria do Serta e equipe do projeto, conselheiros e empresas financiadoras.  A diretoria do Serta agradece a toda equipe envolvida, gestores municipais e investidores pelo compromisso e desenvolvimento da juventude, do território e da Agroecologia. Viva ao SERTA, Viva a Agroecologia”, concluiu.



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