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Sandro Cipriano: dois anos de eternas saudades

25/06/2021 | 04h:02
por Eduardo Amorim

Um baobá foi plantado no Campo da Sementeira  em homenagem a Sandro Cipriano (Foto: Eduardo Amorim/SERTA)

Todos que fazem o SERTA – Serviço de Tecnologia Alternativa ainda sentem a falta do nosso querido Sandro Cipriano, assassinado no município de Pombos, em 27 de junho de 2019. Neste domingo, véspera do Dia Mundial de Orgulho LGBTQIA+, promovemos no nosso canal do Youtube uma Live de saudade juntamente com a Abong (Associação Brasileira de ONGs), Movimento LGBT Leões do Norte e a Rede LGBT do Interior de Pernambuco.

Foi um momento para fazer uma homenagem à resistência e lembrarmos do grande militante e educador do curso técnico em Agroecologia, que foi Sandro Cipriano. Aos 35 anos. o educador foi encontrado morto na manhã de um sábado, na Zona Rural da sua cidade, na Zona da Mata de Pernambuco. “Se tem algo que nos alegra neste momento é saber que a luta de Sandro Cipriano não foi em vão e que ela começa a dar frutos”, disse Rildo Veras, representante do Movimento LGBT Leões do Norte.

Por 20 anos, Sandro fez parte do SERTA. Ele foi educador do módulo de Educação em Direitos Humanos, do curso técnico em Agroecologia do SERTA. Também foi coordenador estadual e membro do conselho diretor nacional da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong), ex-conselheiro nacional da juventude (Conjuve), ex-conselheiro estadual de políticas públicas de juventude em Pernambuco.

“Era uma luta constante de Sandro dentro da instituição de colocar a questão da diversidade, de levantar a bandeira mesmo com o movimento. Mas querer que essa pauta fosse pauta da organização, que os conceitos, essa terminologia fosse parte dos instrumentos do Serta. Eu lembro muito um instrumento que nós trabalhamos como Serta, que foi o estatuto e ele fez questão de colocar a questão da diversidade e até queria deixar mais explícito. Ele para nós é essa referência da diversidade, que perdemos fisicamente, era Sandro Cipriano. E hoje o SERTA precisa respeitar e ter o compromisso de incluir em todo o seu processo formativo a questão da diversidade, da orientação sexual, da identidade de gênero e da expressão de gênero”, afirmou Alexsandra Maria da Silva, presidenta da organização, mostrando emoção e saudades.

Sua morte, motivada por ódio e homofobia, é o retrato do Brasil que exclui, estigmatiza e assassina pessoas que defendem direitos e LGBTs. A violência é um fator histórico que sempre atentou contra a vida daqueles que defendem os direitos fundamentais. Integrante do Grupo Sete Cores de Pombos, Givanildo João Barbosa, acredita que “neste momento (Sandro) é um ícone do movimento LGBT pernambucano. Onde ele passou deixou seu legado, no movimento LGBT, na juventude, nos quilombolas, entre os indígenas. Sandro Presente sempre nas nossas vidas! Quem conheceu Sandro jamais vai esquecer a pessoa que ele é”, concluiu.

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