Projeto Mutirão Ciranda implementa biodigestores em residências rurais

Publicado por Henrique Lee em 29 de dezembro de 2020

Foto: @henriqlee

Para fazer o mutirão do Serta, são necessários a força coletiva e um propósito: transformar realidades. E é assim que a equipe do Projeto Mutirão Ciranda tem seguido firme, mobilizando e realizando centenas de intervenções em 22 municípios pernambucanos, com apoio da Fundação Banco do Brasil.

Com o carro cheio de ferramentas e materiais pedagógicos, desta vez a equipe seguiu viagem para a comunidade Flor de Maio, município de Maraial, Zona da Mata Sul de Pernambuco. A região é montanhosa. São aproximadamente 20km da cidade até o sítio onde moram Seu Cícero Eronaldo da Silva, a esposa Luciana e a filha Elaine. Logo vão chegando as pessoas convidadas para participar da execução de um biodigestor.

A tecnologia social já foi implementada pelo Projeto em cinco residências rurais, sendo o primeiro equipamento a ser instalado e visto nesses municípios. Os vizinhos, curiosos com a engenharia, não fazem ideia do que se trata. Mas o educador do Serta Paulo Santana, coordenador do projeto, reúne a família e os demais participantes para explicar as etapas da montagem do equipamento que gerará gás para casa e biofertilizante para as lavouras, fazendo apenas uso de esterco animal que para seu Cícero é gratuito, já que cria porcos.

Com a adesão da família e participação de todos, logo o equipamento vai tomando forma e sendo finalizado. Seu Cícero tem pressa para o funcionamento do biodigestor: “não vejo à hora de ele começar a funcionar e gerar gás”, e sonha alto: “no futuro quero transformar o gás em energia elétrica e colocar um gerador para ter o mínimo de gasto com a rede de abastecimento e, assim, aumentar minha capacidade de irrigação”.

O agricultor, que é ex-cortador de cana-de-açúcar, passou a ser um pequeno empreendedor rural. Com o Projeto ele sonha em ampliar o plantio, fazer fertirrigação, melhorar os rendimentos. Atualmente é presidente da associação Batateiras, que reúne agricultores/as que comercializam produtos agrícolas por meio de doações simultâneas a departamentos públicos.

Foto: @henriqlee

“O Serta e a Fundação Banco do Brasil chegam para criar uma cultura de mutirão nos territórios e levar ao alcance das comunidades rurais tecnologias sociais, de fácil acesso, para inclusão e geração de renda, inclusão socioprodutiva, soberania alimentar e nutricional, criando cenários no campo que possa a fazer transição agroecológica”, enfatiza Paulo Santana.

A intervenção do Mutirão Ciranda também está na Assistência Técnica e Extensão Rural. O técnico Claudemir Ferreira tem acompanhado as atividades rurais de Seu Cícero, orientando sobre aspectos a partir da atividade produtiva do agricultor. “A gente faz um trabalho de observação e escuta, valorizando o conhecimento do agricultor e construindo pontes para que a propriedade esteja conectada, fazendo a transição agroecológica, que garanta as seguranças hídrica, alimentar, nutricional e energética”, conta Claudemir.

Como os aprendizados, Seu Cícero tem convicção de continuar investindo no campo, plantando cará, banana, milho, macaxeira, abacaxi, melancia, limão. “Eu quero plantar e criar comida. Fazer dessa pequena área uma coisa grande, produzir sem agrotóxicos não somente para vender, mas para se alimentar. E eu tenho visto que tem que ser dessa forma”, conta.

Todo trabalho é cauteloso também com a saúde dos envolvidos, já que estamos no período marcado pela pandemia da COVID-19. O uso de máscaras e o frequente uso do álcool em gel são elementos presentes e fundamentais durante as atividades.

Sobre o Projeto Mutirão Ciranda

O Mutirão Ciranda também é uma tecnologia social, e tem formado e potencializado ações produtivas de base agroecológica de agricultores familiares. Somente esse ano realizou dezoito reuniões com conselhos municipais, duas semanas pedagógicas por mesorregião, cinco intercâmbios, duas oficinas, 171 visitas de Ater e mais de 150 mutirões nas propriedades dos beneficiários.

O Projeto, realizado pelo Serta, com apoio da Fundação Banco do Brasil, tem o objetivo de promover o desenvolvimento local sustentável, a partir dos sistemas de produção de base agroecológica, para geração de renda e inclusão socioprodutiva de comunidades tradicionais, agricultores familiares e assentados da reforma agrária no Estado de Pernambuco.

Dentre as metas previstas para o próximo ano está à implantação o planejamento de dez propriedades com a implantação do Sistema Agroflorestal, intercâmbios de saberes entre as comunidades e agricultores/as, realização de oficina de marketing e agregação de valor na Agricultura Familiar, oficinas sobre processos de adequação às conformidades da agricultura orgânica, além de mutirões e visitas de Ater aos núcleos de mutirões.

Os municípios contemplados pelo projeto são Abreu e Lima, Recife, Camaragibe, Araçoiaba, Tracunhaém, Timbaúba, Glória do Goitá, Palmares, Maraial, Jaqueira, São Benedito do Sul, Quipapá, São Bento do Una, Pesqueira, Buíque, Águas Belas, Ibimirim, Inajá, Betânia, Iguaracy, São José do Egito, Solidão. O projeto tem realização do Serta, financiado pela Fundação Banco do Brasil e tem parceria com organizações dos municípios.



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