Experiência transformadora na educação a distância do curso técnico de agroecologia

Publicado por Henrique Lee em 11 de junho de 2020

Em março deste ano, as aulas presenciais do curso técnico de Agroecologia do Serta, que acontece em regime de alternância, precisaram ser interrompidas, mediante o início da pandemia do novo coronavírus no Brasil. Com isso, trezentos estudantes, das turmas de Glória do Goitá e Ibimirim, educadores/as e equipe administrativa da escola precisaram dá uma pausa para esse “novo mundo”, e, com isso, adaptando as formas de aprendizado, tendo o Programa Educacional de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável – PEADS como itinerário pedagógico.

Durante esse período, equipe de educadores/as tem se reunido, por meio de plataformas digitais, para refletir sobre o cenário atual e buscar soluções pedagógicas para continuidade do curso, que completa em junho catorze meses do total de dezoito para finalização da formação. As aulas têm acontecido virtualmente. Com foco no debate sobre a realidade do COVID-19, os aprendizados e as possibilidades para uma atmosfera contextualizada estão sendo exploradas, seguindo o conteúdo programático do módulo em curso.

“Nós temos aplicado a dimensão da educação contextualizada a partir das experiências dos estudantes. Com isso, temos formas de participação diversas. Quem não tem acesso à internet, ou dificuldade, produzem conhecimento a partir de suas vivências, refletindo e sistematizando as multidimensionalidades que agroecologia permite”, explica Germano Barros, diretor da escola técnica de Agroecologia.

Uma experiência que está sendo vivenciada é a realização de webinários, com tema Agroecologia e Meio Ambiente em Tempos de Pandemia, que iniciou na semana do meio ambiente, e segue até a sexta-feira (12). A dinâmica de explanação de conteúdos e debates tem conectado estudantes, educadores e convidados em encontros virtuais diários.

“O isolamento foi um problema que todos vivenciamos e, para o PEADS, se tornou uma oportunidade. Fomos descobrindo que era possível inovar. Então, o distanciamento foi uma oportunidade de os estudantes refletirem sobre suas práticas, suas vidas, famílias, propriedades. Tempo de refletir, de se cuidar, trabalhar corpo e mente. E a escola tem reagido a partir dessas dificuldades”, conta Germano.

A escola vem atendendo a realidade plural dos/as estudantes. É que além de nem todos possuírem condições de acesso a equipamentos e à internet, nem todos que fazem o curso de agroecologia no Serta moram na zona rural, ou possuem propriedades rurais. A dinâmica muda a partir dessas realidades, o que confere resultados da prática filosófica e efetivação de atividades no tocante da soberania alimentar. Quem tinha dificuldade em avançar nos exercícios, em atualizar leituras ou redigir relatório de estágio, seguem evoluindo. Um esforço que vem dado certo.

No campo, a produção de alimentos tem garantido o envolvimento da família na produção de alimentos de base agroecológica, que se fortalece nesse período de chuvas. Na cidade, a dimensão da agroecologia urbana ganhou força com medicamentos fitoterápicos, saúde tradicional e ancestral, jardins e quintais produtivos, se articulando em redes virtuais para compartilhar, agregar conhecimentos e incidência política. Em Ibimirim, um grupo de estudantes catalogou cerca de cem espécies de plantas da caatinga, e estudaram o solo. “Algo essencial para o Semiárido”, destaca Germano.

Estudantes do curso podem acessar o conteúdo no canal do Serta no YouTube.com/conexaoserta.
Quem tem interesse em estudar no Serta, as inscrições para o curso técnico de Agroecologia estão abertas até dia 30 de junho. São ofertadas 300 vagas para as Unidades de Glória do Goitá e Ibimirim. Para se inscrever clique AQUI.

Sobre o curso técnico de agroecologia

É desenvolvido em regime de alternância, com atividades presenciais e de tempo comunidade, totalizando 1.200 horas/aulas e mais 200 horas de estágio curricular supervisionado. Possui registro profissional do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (CREA-PE) e credenciamento do Conselho Estadual de Educação de Pernambuco. O curso é gratuito e tem financiamento do Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria Estadual de Educação.

 



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