Estudantes participam de aula e montam sistema de aquaponia

Publicado por Henrique Lee em 14 de maio de 2021

Foto: Thairony Alexandre/ SERTA

Estudantes da formação em Agentes de Desenvolvimento Local – ADL, com êfase no Clima, participaram da primeira aula prática de confecção de ecotecnologias, tendo o sistema de aquaponia no meio aquático implementado no Centro de Formação Elizabeth João Teixeira, do Movimento Sem Terra, localizado no município de Lagoa Seca/PB. O Centro será espaço de realização de outras ecotecnologias, como Sistema Agroflorestal e o Bioágua, que reaproveita água do uso doméstico.  A ideia é que o espaço seja laboratório vivo para as práticas dos estudantes, que reaplicarão algumas delas em suas propriedades rurais.

Durante os dias 10 e 11 de maio, estudantes aprenderam na prática os materiais necessários e o passo a passo para montagem do sistema que vem revolucionando a forma de produção de alimentos, que independe das condições climáticas. Isto porque a aquaponia integra a produção de hortaliças, peixes, galinhas em um sistema cíclico com baixo uso de água e excelente produtividade. A média é que a cada 35 dias sejam colhidos 96 pés de alface, a cada três meses para abate de cinco galinhas (ou mais tempo para produção de ovos), 150 a 180 dias para pesca de 80 peixes, equivalente a aproximadamente 50kg. Toda área produtiva é interligada em um ambiente com 20m². Além desses alimentos, o sistema também é capaz de produzir humos, a partir do esterco das aves somado aos dejetos de matéria orgânica produzidos pelo sistema.

“Mais que um sistema que otimiza espaço para produção e o uso de energias, a aquaponia é uma ecotecnologia que traz na essência uma produção limpa, sem uso de agrotóxicos, comprometida com o meio ambiente, que proporciona a segurança alimentar e nutricional das famílias, e que estamos tornando possível o acesso democrático do conhecimento para que seja uma realidade na casa dos familiares dos jovens do Projeto, que convivem em lugares onde o acesso à água e à terra é escasso ou restrito”, disse Thiago Silva, coordenador do Projeto.

“É uma experiência nova que vai me levar a um patamar um pouco maior, porque eu vou passar esse conhecimento para minha comunidade e família. Como a gente mora no Semiárido, vamos ter uma economia de água, produzir alimentos e ter um recurso financeiro a mais”, conta o estudante de ADL Clima, Vandeilson Maciel, do Assentamento Che, município de Casserengue.

O Serta atua a partir de uma aliança, composta pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável, Instituto Penha e Margarida, Coletivo Terra Viva, Centro de Capacitação Elizabeth e João Pedro Teixeira e pela Cooperativa de Serviço e Trabalho da Reforma Agrária da Paraíba. “Essa parceria existe justamente em função dos/das agricultores/as familiares que estão em suas propriedades, para que juntos possamos construir o conhecimento, diminuir o impacto no meio ambiente, no clima e ajudar no desenvolvimento econômico, social, ambiental e político dos territórios, tendo o/a jovem como protagonista”, considerou o educador Rildo Tomé, diretor do Serta.

“Existem invisibilidades no campo que são muito alheias aos jovens que vivem na cidade: a falta de oportunidade, o êxodo rural, a sucessão e permanência do campo são partes do cotidiano desses jovens que, em um determinado ponto, acabam tomando a decisão de migrar, por falta de oportunidade. E o projeto Innova investe na capacidade da juventude se reinventar, permanecer e tornar o lugar produtivo, tornando-os multiplicadores da experiência e, com isso, capacitando e envolvendo mais jovens”, afirmou o coordenador nacional do projeto INNOVA-AF, Rodolfo Daldegan, oficial de projetos do IICA.

O Projeto Juventude Innova, associado ao macroprojeto INNOVA AF, é realizado pelo SERTA com o apoio do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura – IICA e Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola – FIDA.

Como funciona a aquaponia?

Foto: Thairony Alexandre/SERTA

Seis canos de PVC, de 10mm, são conectados uns aos outros sobre uma base de 2,6m² feita de ripa e tela, medindo a parte mais alta 94cm com inclinação até 80cm. Pequenos furos são feitos nos canos, local onde funciona a câmara de cultivo, ou seja, o lugar de plantio das hortaliças. Esses canos são caminhos das águas que deságuam numa caixa d’água de mil litros.

Ao lado, em numa altura de 15cm maior que as câmaras de cultivo, é instalado, sobre uma base de ripa, metade da lateral de um tonel de 100 litros, preenchido de cascalhos de telhas, chamado de filtro biológico – ambiente que dão morada à bactérias que transformam os dejetos dos peixes, que contém alto índice de amônia, em nitrito e nitratos. Nutrientes ideais para o desenvolvimento das plantas. O filtro também é utilizado como câmara de cultivo, onde pode se realizar o plantio de plantas medicinais e hortaliças diversas.

Para filtrar as impurezas de partículas sólidas geradas pelo sistema, uma ligação através de canos é feita a um tonel de 160 litros, que deve receber manutenção periódica para limpeza.

Por fim, uma bomba d’água, movida à energia solar, faz circular a água fertilizada pelos peixes, que passa pela câmara de partículas sólidas, pelo filtro biológico, pelas câmaras de cultivo, e faz voltar ao ambiente de origem. Toda essa engenharia é calculada por um sistema que enche e esvazia os recipientes superiores, programado para disparar em intervalos de minutos. Esse tempo é necessário para que os microorganismos se instalem com vigor nos cascalhos do filtro biológico, que transforma a amônia oriunda do tanque dos peixes em nitrito e nitrato. Deste modo, o sistema permanece vivo, oxigena a água dos peixes, mantém os nutrientes ativos e a umidade adequada para que as plantas tenham nutrientes, não apodreçam ou sequem.

Sob as câmeras de cultivo pode ser feita a criação de galinhas, que divide o espaço para produção de humos, através da compostagem. Sobre o sistema, é indicada a colocação de tela de sombreamento de 70%, a fim de estabelecer de forma adequada a incidência solar.

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Sobre INNOVA-AF

O projeto busca fortalecer as capacidades de famílias camponesas, integrantes de sistemas territoriais de agricultura familiar (STAF), com baixa resiliência atual aos impactos das mudanças climáticas, em territórios semiáridos e sistemas montanhosos para participarem ativamente dos processos de transformação rural em América Latina e Caribe, implementando boas práticas em territórios com condições biofísicas e socioeconômicas semelhantes.

Sobre o FIDA

É uma instituição financeira internacional e agência especializada das Nações Unidas. Ele se concentra no investimento na população rural, capacitando-a para reduzir a pobreza, aumentar a segurança alimentar, melhorar a nutrição e fortalecer a resiliência.
Sobre o IICA

É o organismo internacional especializado em agricultura do Sistema Interamericano, cuja missão é estimular, promover e apoiar os esforços de seus 34 Estados membros para alcançar o desenvolvimento agrícola e o bem-estar rural por meio de uma cooperação técnica internacional de excelência.



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