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Técnico do Serta tem vídeo selecionado em concurso da Articulação Nacional de Agroecologia

19/05/2021 | 02h:57
por Eduardo Amorim

Aquaponia une hidroponia, psicultura e com a cobertura vegetal ainda produz uvas Foto: Thairony Alexandre/Serta

Financiado pela Fundação Banco do Brasil, o projeto Mutirão Ciranda se inspira no início do SERTA – Serviço de Tecnologia Alternativa, quando técnicos se uniram a agricultores e agricultoras para, juntando famílias, fazerem frente às demandas de serviços de suas propriedades evoluindo de um sistema convencional para um agroecológico. Beneficiado juntamente com sua família pelo projeto, Anderson Severino da Silva ingressou na Escola Técnica de Agroecologia e depois se tornou educador da ONG.

Hoje, ele utiliza sua experiência em casa para falar dessa mudança de vida e foi reconhecido recentemente pela Associação Nacional de Agroecologia. O Rap/poesia “O campo é o meu lugar”, escrito por Anderson, foi um dos 15 vídeos reconhecidos como “Histórias locais” no prêmio A história que eu cultivo, da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA). Além de escrever, o agricultor conta que criou o canal Disseminadores da Agroecologia no Youtube, onde registra as ecotecnologias que são construídas na sua propriedade. Os vídeos acabam sendo utilizados para mostrar as diversas benfeitorias para os beneficiados pelo Mutirão Ciranda.

“Os agricultores só acreditam vendo”, conta ele, lembrando que teve bastante trabalho para convencer seus pais Severina e Lourival Severino da Silva a implantar algumas ecotecnologias e até deixar que fossem construídas experiências como a do Círculo de Bananeiras. Depois de ver as águas cinzas ajudando na produção, Seu Louro (como é conhecido o pai de Anderson) até já quer reproduzir a experiência.

Além do ciclo de bananeiras, a propriedade foi beneficiada com um biodigestor pelo Mutirão Ciranda. Em 2018, Anderson se formou no curso técnico de Agroecologia do SERTA, depois disso ele foi convidado para participar da equipe da ONG. Mesmo assim, o jovem de 24 anos segue utilizando a estratégia dos mutirões na propriedade familiar e no fim de 2020 organizou com sua família um mutirão para fazer uma aquaponia. “Aqui eu digo que é meu laboratório. Antes, os canos de PVC estavam com brita e eu retirei para fazer um experimento, mas já sei que as plantas se davam melhor com as pedras. Então, tudo eu anoto”, relata.

O espaço é coberto por uvas. Através da hidroponia, ele tem produzido alface, alho, tomate, boldo, hortelã e faz experiências como a beterraba. As tilápias completam o ciclo, já que os peixes deixam resíduos na água que servem como uma adubação natural e assim se fecha um círculo.

A família de Seu Louro e Dona Severina tem cinco filhos e ainda uma neta (Ranikeli). Em apenas um hectare, os sete adultos e uma criança têm criação de galinhas, vacas e plantações diversas. A casa de farinha que garantia o sustento continua a funcionar, mas agora o biodigestor garante gratuitamente o fornecimento de gás equivalente a dois botijões de gás, a cerca viva (que intercala palma com gliricídeo) gera alimento para os animais, o ciclo de bananeiras facilita o saneamento e a cisterna de ferro-cimento garante o fornecimento de água, através da captação no telhado da residência, que ganhou pneus para baratear o custo da construção e que servem como espaço para algumas plantinhas ornamentais.

“Assim como esta experiência, o projeto Mutirão Ciranda tem atuado com mutirões em outras 249 propriedades em 22 municípios de Pernambuco. As famílias de agricultoras e agricultores que participam das ações buscam a inclusão sócio-produtiva a partir da transição agroecológica”, conta o coordenador do projeto do SERTA, Paulo Santana.

Iniciativa do concurso A história que eu cultivo foi do GT de Biodiversidade da ANA