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Curso técnico em agroecologia reinicia aulas em sistema híbrido

13/04/2021 | 09h:56
por Eduardo Amorim

Com cuidados para o enfrentamento à pandemia, mutirões são realizados no campo (Foto: Carolina Drahomiro/Coletivo Saúva)

Diante de todas as dificuldades impostas pela pandemia do coronavírus, que se encontra em seu auge nacionalmente, o Serta está reiniciando as aulas do curso técnico em agroecologia em modo híbrido. A ideia é que tudo que tiver condições de ser feito em isolamento possa ser realizado online e as atividades de campo em propriedades rurais sejam realizadas nos municípios, com pequenos grupos, respeitando o isolamento social.

Como quase tudo na vida dos brasileiros, a metodologia do Programa Educacional de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável – PEADS também está tendo de se adaptar à pandemia. Mas serão  mantidos os princípios e as quatro etapas do processo pedagógico: pesquisa, desdobramento, devolução e avaliação. “A vida continuou e exigiu de cada um uma reinvenção. A gente transformou em sala de aula, no conteúdo, a própria existência das pessoas durante a pandemia”, explica Abdalaziz de Moura, sobre a difícil missão de adaptar o projeto pedagógico durante o ano de 2020.

Presidenta do Serta, Alexsandra Maria, explica que  o curso técnico leva em consideração a realidade das pessoas. “A partir do conhecimento do/a agricultor/a que é construído o projeto de vida para qualificar a propriedade. Isso faz com que todos entendam que aquela propriedade é mais do que um habitat. É um projeto de vida, um empreendimento, mas também um espaço para se criar os filhos, em condições de educá-los e entender também que a escola faça parte dessa história”, resume.

O educador Paulo Santana esteve no Sítio Creuza e Paulo Fulô, na comunidade de Muricê, município de Bonito, em uma das primeiras atividades presenciais de 2021, com parte da turma do Núcleo Territorial do Agreste. Aprovada no Edital 2021.1, Fabia Creuza de Lima, 44 anos, vem desenvolvendo juntamente com sua família um trabalho com abelhas nativas das espécies uruçú, uruçú-mirim e Jataí, desde 2012.

Estudante do curso técnico em Agroecologia, ela diz que “deseja conhecer e ir em busca de novas tecnologias sustentáveis para ter uma qualidade de vida melhor no sítio”. Fabia está iniciando o curso técnico, e já tem uma ideia do seu projeto de vida, que passa por tornar o meliponário um exemplo, a ponto de receber visitas e fazer com que o Sítio da sua família seja referência no Estado. Integrante da Associação dos Agricultores e Agricultoras Agroecológicas de Bonito, ela já tem diversos clientes para quem comercializar diretamente o mel de abelhas nativas, e o excedente vender no Mercado da Vida, onde também são comercializados os frutos da propriedade que tem jambo roxo, rosa, jaca, ingá de metro, manga, abacate, laranja, além de diversos tipos de banana.

História

O Serta iniciou as atividades de formação com o curso de Agentes de Desenvolvimento Local (ADLs), que há dez anos tornou-se o Curso Técnico de Nível Médio em Agroecologia. O curso funciona em regime de alternância, onde os/as estudantes passam uma semana por mês em aulas presenciais e três semanas desenvolvendo seus projetos de vida nas propriedades rurais. O curso profissionaliza o/a estudante para se tornar empreendedor/a do e no campo, em atividades agrícolas, agropecuárias, ambientais, de agregação de valor, logística, comercialização da produção, gestão de negócios, confecção de tecnologias de baixo custo para o manejo integrado da propriedade, com conhecimento da legislação e das políticas públicas para a agricultura familiar, assistência técnica e extensão rural e vivência junto aos movimentos sociais do campo e de direitos humanos.

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