Agricultores familiares do Semiárido comemoram os investimentos na propriedade

Publicado por Henrique Lee em 2 de agosto de 2019

Foto: Henrique Lee/SERTA

Com cisternas cheias e alguns barreiros transbordando de água, agricultores/as contemplados pelo Programa Uma Terra e Duas Águas – P1+2, da Articulação Semiárido Brasileiro – ASA, adquiriram o caráter produtivo e fomento para investir na propriedade. Ao todo, 201 famílias dos municípios de Inajá e Betânia, no Sertão de Pernambuco, receberam entre 1.500 a 3mil Reais para concretizar os projetos construídos, por eles mesmos, a partir de um diagnóstico realizado na propriedade.

Galinheiro, horta, pomar, cercados, equipamentos para plantio e irrigação, tecnologias de biodigestor, aquaponia e bioágua estão foram montados ou adquiridos pelos agricultores/as. O SERTA, que implementou nessas propriedades as tecnologias sociais cisterna calçadão e enxurrada, de 52mil litros, e barreiro, com capacidade para mais de 500mil litros, presta assessoria técnica na realização desses sonhos, que tem apoio do BNDS e da Secretaria Especial de Desenvolvimento Social.

Foto: Henrique Lee/SERTA

Sebastião Gomes, 65 anos, mora na comunidade Sítio Baixa, município de Betânia, com esposa, filhos e genro. Numa área de dois hectares, ele tira o sustento da família. “Nossa principal dificuldade é com a falta d’água. A gente tem um poço que enche no inverno, mas não sustenta quando chega o verão porque água é pouca. Com o barreiro que foi feito pelo projeto, eu uso no inverno a do poço e guardo a do barreiro pra quando passar o inverno”, conta o agricultor.

A família recebeu o caráter produtivo, e investiu na construção de um galinheiro e compra de equipamentos para cuidar do roçado. Seu Sebastião colhe por ano entre 30 a 40 sacos de milhos, que armazena para o ano inteiro. “Faço cuscuz, angú, xerém, pra dá para os animais, porco, galinha, boi”. Além da produção de milho, eles plantam feijão, melancia, abóbora, capim, palma e árvores frutíferas que servem para o consumo da família e para pequena comercialização.

Foto: Henrique Lee/SERTA

“A gente sofre sem água, não tem nem pra dá a um bicho. Com a chegada da cisterna a gente vai ter como plantar. É um sonho que a gente realiza, de poder plantar nossas hortas pra deixar de comprar coisas com veneno na feira”, diz a agricultora Josefa Angela dos Santos, da Baixa da Quixabeira, em Betânia, que recebeu a cisterna enxurrada e o caráter produtivo fomento, onde adquiriu uma forrageira, com investimentos para cultivo de um pomar.

“No roçado tem pinha, feijão, melancia, abóbora, canteiro, galinha, boi e, com o dinheiro do fomento, comprei dois porcos melhores e fiz uma pocilga. Só tá faltando um pirú, mas eu vou arrumar”, conta animada Dona Josefa Maria do Nascimento, do Sítio Araras, do município de Betânia, com o esposo Arthur Manoel dos Santos, que fazem questão de anunciar que a produção é toda de orgânicos.

Para Ivone Sulamita, coordenado do Projeto pelo SERTA, esses investimentos garantem a permanência dos agricultores/as no campo. “São políticas públicas que dão maior condição das famílias investirem nas suas propriedades, fazendo com que dê potencial a produção de alimentos dentro de um contexto local, gerando renda, autonomia e sustentabilidade”, considera.

Foto: Henrique Lee/SERTA



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